Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SEDECT), por meio do seu Núcleo de Pesquisas Econômicas (NPE/TL), da Prefeitura Municipal de Três Lagoas, divulgou nesta quinta-feira (05), um levantamento sobre a Balança Comercial do município entre o período de janeiro a setembro deste ano (2017).

Este é 16º Boletim do Núcleo que, inclusive, analisa os dados referentes ao fluxo de importações e exportações no período de 2000 a 2016. As estatísticas apresentadas no boletim, sobre a balança comercial de Três Lagoas, são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Segundo o boletim, a balança comercial de Três Lagoas opera superavitária desde 2009, ano em que a economia do município faz a transição para a base exportadora. No período entre janeiro e setembro de 2017, a balança comercial três-lagoense operou em superávit de US$ 442 milhões, cerca de 55% a mais do que importado no município no período, que foi de US$ 355 milhões. Na análise mensal, setembro registrou um aumento de 14% nas exportações o município.

Primeiro lugar do estado

A pesquisa mostra que mesmo com a variação significativa das exportações, quando comparada com as outras cidades maiores de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas detém o primeiro lugar na composição entre as maiores exportadoras do estado, média mensal no período de 66%, seguida de Campo Grande (24%), Dourados (18%), e Corumbá (15%). O mês com maior participação de Três Lagoas na composição entre as maiores do estado foi junho com 79,1%.

Ainda de acordo com a pesquisa, no comparativo do mesmo período de 2016, houve uma queda no superávit em -18%. No período entre janeiro e setembro Três Lagoas já havia exportado US$ 812 milhões, isto é, o período de 2017 demonstra um recuo de -2% nas exportações.

Para o coordenador do Núcleo, Prof. Dr. Cristovão Henrique, 2017 pode ser o primeiro ano que Três Lagoas não feche suas exportações com a marca de 1 bilhão de dólares, cifra inédita atingida em 2013.

“A economia de exportação de Três Lagoas possui aspectos robustos desde 2013, os dados mostram uma desaceleração no ritmo das exportações, é um sinal de alerta, inclusive vimos essa característica já na previsão do crescimento do PIB do município para 2017”, explica.

Cristovam acredita ainda que “somos uma economia vulnerável às instabilidades do mercado internacional. Qualquer alteração no arranjo produtivo global nossa economia sente o impacto. Faltam aí dois meses para o fim do ano, se as exportações ficarem na média dos US$ 88 milhões verificada nos meses anteriores, o US$ 1 bilhão é atingível, por outro lado, se o volume para os próximos meses forem as marcas de fevereiro e julho, é possível que as exportações não atinjam a cifra bilionária”, alerta.

Ele lembra ainda que “o montante das exportações interferem nos percentuais dos repasses do governo federal para Três Lagoas via Fundo de Participação dos Municípios (FPM)”, conclui o coordenador.

Efeitos da Crise

No plano internacional, o estudo revela que os fatores que interferem na retração das exportações são a redução das compras do mercado asiático, sobretudo o arrefecimento da economia chinesa associada às oscilações do preço dólar, além das estratégias definidas pelas corporações nos mercados das commodities.

Já no doméstico, a atividade produtiva de Três Lagoas começou a sentir, no seu ponto mais forte, as exportações e os efeitos da crise econômica brasileira que estremecem os estados mais industrializados do país desde 2014.

Sob a avaliação do coordenador sobre o final de 2017, a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação econômica da sua pior crise desde 1930 e 1931, quando a quebra da Bolsa de Nova York derrubou economias ao redor do mundo.

“Três Lagoas passou longe da crise durante dois anos, 2015 e 2016, a ritmos acelerados, com problemas nas múltiplas dimensões da cidade, evidentemente. Entretanto, os dados divulgados ultimamente mostram que no momento é necessário cautela e decisões estratégicas tanto para iniciativa privada quanto para a gestão pública”, ressalta.

Cristovam finaliza avaliando que para “Três Lagoas também possa acompanhar o país com o crescimento econômico sustentado, qualificando serviços e pessoas, acompanhando o processo de retomada de crescimento da economia brasileira, é preciso ter uma agenda, sobretudo, estratégica”.