Jovem que saiu de MS em foto em frente ao Arco do Triunfo (Foto: Eric Ribeiro/ Arquivo Pessoal)
Jovem que saiu de MS em foto em frente ao Arco do Triunfo (Foto: Eric Ribeiro/ Arquivo Pessoal)

Após a sequência de ataques que deixou 20 pessoas mortas na França desde a última quarta-feira (7), quando homens armados invadiram a sede do jornal satírico "Charlie Hebdo", o jovem brasileiro Eric Ribeiro Silva, 23 anos, disse ao G1 que a população teme um novo ataque.

O rapaz saiu de Mato Grosso do Sul e mora em Paris há cerca de um ano. Segundo ele, uma grande manifestação está prevista para o domingo (11) na capital francesa, em homenagem às vítimas, mas os moradores da cidade estão com medo de que novo ato violento aconteça durante o evento.

"Eu estou com alguns amigos aqui e eles querem ir [na manifestação], mas estão com medo de que aconteça mais algum atentado. Ainda não sei se vou, mas vai ser algo impressionante, na minha opinião", explicou.

Ele foi morar na França há cerca de dois anos, país onde fez estágio e estudou. O rapaz contou que ficou sabendo do ataque à revista pela internet.

"Eu moro no 12º arrondissement, o atentado foi no 11º. Fica há cerca de 3 km da minha casa. Eu estava em casa, mas não ouvi nada. Também não sai na rua depois do atentado", explicou.

Nesta sexta-feira (9), o jovem afirmou ter percebido que e a população voltou a ficar preocupada durante o dia, em razão de dois novos ataques, mas o clima de tensão diminuiu após as mortes dos terroristas.

"Depois que mataram os terroristas eu sinto que eles [franceses] estão aliviados. O que aconteceu aqui marcou bastante as pessoas. Vai demorar um tempo para que as coisas voltem ao normal, na minha opinião", avaliou.

Insegurança
Questionado se passou a ter medo de morar em Paris depois dos ataques recentes, Eric disse que, apesar dos riscos, se sente mais seguro na França do que no Brasil.

"Quarta-feira mataram 12 pessoas na França. O Brasil é um país em que 60 mil pessoas são assassinadas por ano. Se a gente divide isso pelo número de dias do ano... Mesmo com a ameaça terrorista [na França], o Brasil é muito menos seguro. E a insegurança do Brasil é algo que me preocupa", ressaltou.

Nascido em São Paulo, ele disse que mudou para Três Lagoas, a 313 km de Campo Grande, em 2004, onde morou por cinco anos. Segundo o jovem, a família ainda mora na cidade sul-mato-grossense, e ficou preocupada ao saber da notícia do atentado. "Minha mãe ficou com medo, normal. Mas agora ela está mais calma", afirmou.

Ainda segundo ele, logo após o primeiro ataque as pessoas se mobilizaram contra o ato. "À noite mais ou menos 35 mil pessoas se reuniram em uma praça em solidariedade aos jornalistas", relatou. Desde a quarta-feira (7), mais policiais passaram a ser vistos na rua, segundo Eric.

Fonte: G1.com.br